A semana que antecede a Semana Santa é conhecida para os católicos “a Semana das Dores”. São as dores de Maria, mãe de Jesus, porém podem ser as dores de qualquer mãe. A grande aflição da Virgem é mencionada tanto na profecia de Simeão quanto no relato da paixão do Senhor. Este foi posto, diz o santo ancião sobre o menino, como um sinal de contradição, e a Maria: e uma espada transpassará tua alma (cf. Lc 2,34-35)…”. Diante de tanta dor e sofrimento, Maria ao pés da Cruz permanece em sua fé e fortaleza.
Os momentos que marcaram estas passagens citadas na Bíblia são refletidas nas Celebrações aqui na paróquia que compreende as Sete Dores de Nossa Senhora:

1ª Dor de Nossa Senhora:  “A Profecia de Simeão”.
A primeira dor da Mãe de Jesus está devidamente registrada na Sagrada Escritura. É no momento da apresentação de Jesus no Templo que Maria ouve o anúncio do velho Simeão, de que muitas dores fariam parte de sua vida. “Uma espada transpassará sua alma”: a profecia anuncia que a dor de Maria não seria corporal, que cicatrizaria com o tempo, não seria a espada na carne, nem a dor que pudesse ter alívio com um grito ou uma lágrima… seria a espada na alma, dor na alma, dor além do físico, além da matéria, dor que afetaria o ser de Maria.

Maria naquele instante não compreendeu o que significaria essa “espada na alma”. Com Jesus pequeno nos braços, ainda sendo amamentado, ficava difícil imaginar o futuro de dor… tudo era sonho e esperança. Nada tiraria dos olhos de Maria o brilho da alegria de estar com seu filho menino. Ela bem sabia que ele era o Filho do Altíssimo. A Virgem Maria guarda o ensinamento de Simeão, embora fosse compreendê-lo somente depois que tudo tivesse acontecido.​ ​

1DORNSRA2019011  1DORNSRA2019015 

2ª “Dor de Nossa Senhora: Fuga para o Egito”.

É difícil imaginar que a Mãe do Salvador, juntamente com seu esposo e pai adotivo de Jesus, São José, tivesse de fugir para proteger o Filho de Deus.
Fugitivos, passam pelo deserto, enfrentam o calor escaldante do dia e os perigos noturnos até chegar ao Egito. Viajam sem descanso, unicamente por amor ao filho. E todo esse transtorno, todo esse sofrimento por causa de um sonho, um simples sonho, uma visão noturna de um anjo. Poderia ser uma simples alucinação, mas por que acreditar nessas intuições? Porém, Maria e José eram pessoas abertas à vontade de Deus, e perceberam que por trás daquele sonho estava um sinal de Javé. A obediência de ambos é prova concreta de santidade, de entrega aos desígnios do Pai.
Por que fugir?, talvez perguntasse Maria ! Jesus é apenas uma criança, que mal faria ao rei? Por quê?

Maria, com seu filho ainda de colo, atravessa o deserto em direção a uma terra desconhecida, faz de tudo para preservar seu fruto do perigo. Não olha para trás, os olhos de Maria e José veem o caminho que os levaria aonde Deus os queria: o Egito.
A Dor de Maria não estava tanto nas dificuldades da viagem, nem na incerteza de estar caminhando rumo a um país desconhecido. Essa Segunda Dor era algo mais profundo seu coração de mãe já estava percebendo o que viria pela frente.
Maria com certeza meditava e relacionava esse fato com a profecia de Simeão: “Esse menino será um sinal de contradição”. Onde estaria a força desse menino de colo que ainda recebia todos os cuidados de seus pais?
A espada era cravada mais fortemente na alma de Maria Mãe, que sabia não ser essa fuga que acabaria com a perseguição a Jesus. A dor de Maria está em ter consciência do perigo, na responsabilidade de ser a Mãe de Deus.​

2DORNSRA2019014 2DORNSRA2019026 

3ª Dor de Nossa Senhora: “A perda do Menino Jesus”.

Neste episódio, Jesus é apenas uma criança, com doze anos de idade, e ainda dependia de seus pais. Maria e José vão à festa da Páscoa em Jerusalém. Todos os anos uma verdadeira multidão se reunia ali para comemorar a festa judaica. Como eram da descendência de Davi, e judeus praticantes, não deixavam as festas religiosas de lado e sempre levavam Jesus, educando-o desde cedo na fé.
Realizadas as obrigações religiosas e voltando para Nazaré, depois de terem caminhado bastante, percebem que Jesus não estava na caravana. Não foi falta de cuidado: é que as crianças nessas caravanas podiam andar tanto com o pai quanto com a mãe, José imaginou que Jesus estivesse com Maria, e Maria acreditava que o menino estivesse com o pai.
Não encontraram Jesus entre eles. O desespero foi geral. “O que teria acontecido? Ele estaria bem? Com quem estaria?” eram perguntas que o coração de Maria não se cansava de fazer. E, imediatamente, voltaram para Jerusalém à procura dele. Maria não descansaria enquanto não tivesse Jesus novamente sob seus cuidados.
Em meio à multidão, os olhos aflitos da mãe procuram o filho. Eis que encontram o menino entre os doutores no Templo. Maria desabafa na pergunta: “Meu Filho, que nos fizeste? Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição”. É aliviada a dor de Maria ao encontrar Jesus. Mas, no diálogo de Mãe e Filho, fica clara a ideia de que nada nem ninguém impediria a missão do Messias.

Maria, de imediato, não compreende a aspereza da resposta de Jesus. Porém não o censurou. Ela teve nesse momento a atitude que iria marcar toda sua caminhada de fiel seguidora do Cristo: o silêncio! Maria guardava tudo em seu coração. Coração forte, coração santo, coração imaculado, cheio de amor. No coração transpassado pela dor, guardava os mistérios ainda não compreendidos, sem deixar de meditar e rezar, buscando sempre realizar a vontade do Pai.

3DORNSRA2019006 3DORNSRA2019010 

4ª Dor de Nossa Senhora: “Maria encontra Jesus a caminho do Calvário”.

Jesus foi condenado a morrer como um bandido. Morte de cruz. Humilhação maior não existia. Caminhou pela cidade suportando o peso da cruz, enfrentando os olhos condenatórios que pediam sua morte.
O que fez Jesus para receber tamanho sofrimento? Por quê? Estas eram perguntas que gritavam no silêncio do Coração de Maria. Meu filho é inocente, não fez nada que merecesse esse horrível castigo. Maria vê os soldados despirem Jesus, o vê sendo coroado de espinhos. Ouve pessoas zombando dele.
A dor de Maria acompanha seu filho sem poder suavizar seu sofrimento. O peso nos ombros de Jesus é peso na alma de Maria. Caminham juntos para o Calvário.
Maria vê Jesus cair, e ainda consegue forças para ajudá-lo a levantar-se. Suportava em seu Coração o sofrimento do filho. Que dor imensa suportou Maria.

4DORNSRA2019005 4DORNSRA2019015

5ª Dor de Nossa Senhora: “Maria encontra Jesus a caminho do Calvário”.

O momento mais difícil na vida de Maria, sem dúvida, foi estar de pé diante da cruz que ostentava o corpo de seu filho. Ela estava ali! No momento da crucificação permaneceu fiel, como fiel foi em toda sua vida. Tentava consolar o filho. Que mulher é essa que consola, justo na hora em que mais necessita de consolo? Cada prego que feria o corpo santo de Jesus dilacerava o coração de Maria. Seria essa a promessa do velho Simeão? Maria foi testemunha da morte violenta e humilhante de Cristo.
Conta-se que a túnica usada por Jesus era tecida por Maria, uma túnica sem costura, feita com todo carinho de mãe. Materialmente falando, Jesus somente tinha essa túnica naquele momento. O presente de sua mãe… nem ao menos isso lhe foi poupado! Jesus foi despido de tudo.
Jesus tinha duas certezas em meio ao sacrifício, foram essas convicções que suavizaram seu sofrimento:
Primeira, de que aquela era a vontade do Pai, difícil de entender naquele momento, mas antes a certeza da Vontade Divina, que a incerteza da dúvida.
A segunda era saber do amor de Maria por Ele. Antes de entregar seu espírito, Jesus ainda encontra forças para presentear a humanidade. Essa mulher, mãe exemplar, que o acompanhou sem nenhum vacilo, foi entregue ao mundo como mãe da humanidade. Mulher, eis aí o teu Filho. Filho, eis aí tua mãe. Maria chora a perda do Filho, porém chora também com dores de parto. A humanidade é novamente gerada, agora não no ventre de Eva, mas no ventre de Maria.​

5DORNSRA2019012 5DORNSRA2019016

6ª Dor de Nossa Senhora: “Maria recebe o corpo do Filho tirado da Cruz”.

Maria abraça o corpo de Jesus, beija sua face ensanguentada, acaricia a cabeça do filho morto, toca em seu lado transpassado pela lança, toca nas chagas distribuídas pelo corpo, e chora serenamente. Em seus braços, está o fruto de Deus encarnado, o fruto que cresceu e se desenvolveu em suas entranhas. Está ali o Salvador do mundo, o prometido por gerações, a esperança de Israel, a Luz do mundo. Mas que Luz? Que esperança? Salvador?
Parece ilusão, parece que tudo não passou de mera utopia. Todo aquele ideal evangélico semeado por Jesus seria sonho?
Muitos dos seguidores de Jesus que ali estavam possivelmente pensaram isso. Maria não olhava os acontecimentos simplesmente como uma fiel seguidora, mas como mãe daquele que havia sido morto. A dor de Maria ultrapassa a barreira de uma desilusão, é dor de abandono.
A maior virtude dessa mulher escolhida para ser a mãe do Salvador é sem dúvida sua confiança.

6DORNSRA2019008 6DORNSRA2019014

7ª Dor de Nossa Senhora: “Maria observa o corpo do Filho a ser depositado no sepulcro”.

Maria caminhante não é paralisada pelas dores, acompanha o pequeno cortejo fúnebre que leva Jesus até o sepulcro. Segue Maria. Caminha… Sétima dor, o corpo do filho sepultado. Mãe e filho separados por uma pedra. Aqui se firma e concretiza inteiramente a profecia de Simeão. Uma espada te ferirá de morte. Teria a morte vencido? Teria a maldade vencido o amor?
Maria, não foi uma espada que feriu teu ser, mas foram vários golpes e apunhaladas. Porém existia dentro desse coração dilacerado pela dor, algo que a fazia levantar e ainda esperar, mesmo contra toda esperança: Sua fé no Deus fiel!

7DORNSRA2019017 7DORNSRA2019021